Perspectivas da relação entre psicanálise e ciência em Lacan

Vinicius Anciães Darriba

Resumo


O artigo examina duas perspectivas pelas quais é abordada a relação entre psicanálise e ciência em Lacan. Não implicando uma oposição, a primeira enfoca o nexo lógico segundo o qual a emergência da psicanálise depende do que resulta da operação da ciência, ao passo que a segunda interroga, a partir do discurso analítico, os efeitos da presença da ciência no mundo. Na primeira perspectiva, destaca-se que a relação da psicanálise com a ciência tem por referência a impossibilidade a que esta última conduz. Na segunda perspectiva, ressalta-se a indicação da ampliação dos processos de segregação como consequência da universalização introduzida pela ciência. A confluência destas duas perspectivas convoca ao exame, no ensino de Lacan, da articulação relativa à copulação entre ciência e capitalismo. Nesta se evidencia, por um lado, que se pode reportar à universalização associada à expansão da ciência a afinidade que o capitalismo encontraria com ela, e, por outro lado, que se trata, com este último, de um discurso que rejeita a falha que estaria na base dos discursos, em particular no que concerne ao limite que a ciência, como situada desde o discurso analítico, engendraria.

Palavras-chave


Psicanálise; Ciência; Lacan; Segregação; Capitalismo

Texto completo:

PDF

Referências


Alemán, J. (2013). Conjeturas sobre uma izquierda lacaniana. Olivos: Grama Ediciones.

Heidegger, M. (2012). Ontologia – Hermenêutica da facticidade. Petrópolis: Vozes. (Obra original publicada em 1923)

Koyré, A. (1991). Estudos de história do pensamento científico. Rio de Janeiro: Forense Universitária.

Lacan, J. (2003). Os complexos familiares na formação do indivíduo. In Lacan, J. [Autor], Outros escritos (pp. 29-90). Rio de Janeiro: Jorge Zahar. (Obra original publicada em 1938)

Lacan, J. (1991). O seminário, livro 7: a ética da psicanálise. Rio de Janeiro: Jorge Zahar. (Seminário original de 1959-1960)

Lacan, J. (1998). A ciência e a verdade. In Lacan, J. [Autor], Escritos (pp. 869-892). Rio de Janeiro: Jorge Zahar. (Obra original publicada em 1966)

Lacan, J. (2001). O lugar da psicanálise na medicina. Opção Lacaniana, 32, 8-14.

Lacan, J. (1967). Petit discours aux psychyatres. (inédito).

Lacan, J. (2003). Proposição de 9 de outubro de 1967 sobre o psicanalista da Escola. In Lacan, J. [Autor]. Outros escritos (pp. 248-264). Rio de Janeiro: Jorge Zahar. (Obra original publicada em 1968)

Lacan, J. (2003). Alocução sobre as psicoses da criança. In Lacan, J. [Autor], Outros escritos (pp. 359-368). Rio de Janeiro: Jorge Zahar. (Obra original publicada em 1968)

Lacan, J. (2008). O seminário, livro 16: de um Outro ao outro. Rio de Janeiro: Jorge Zahar. (Seminário original de 1968-1969)

Lacan, J. (1992). O seminário, livro 17: o avesso da psicanálise. Rio de Janeiro: Jorge Zahar. (Seminário original de 1969-1970)

Lacan, J. (2009). O seminário, livro 18: de um discurso que não fosse semblante. Rio de Janeiro: Jorge Zahar. (Seminário original de 1971)

Lacan, J. (2011). Estou falando com as paredes: conversas na capela de Sainte-Anne. Rio de Janeiro: Jorge Zahar. (Seminário original de 1971-1972)

Lacan, J. (2012). O Seminário, livro 19: ...ou pior. Rio de Janeiro: Jorge Zahar. (Seminário original de 1971-1972)

Lacan, J. (1972). Du discours psychanalytique. (inédito)

Lacan, J. (1972). Intervention sur l’exposé de M.Safouan : “La fonction du père réel”. (inédito)

Lacan, J. (1985). O Seminário, livro 20: mais, ainda. Rio de Janeiro: Jorge Zahar. (Seminário original de 1972-1973)

Lacan, J. (1973). Excursus. Conférence à Milan. (inédito)

Malraux, A. (1968). Antimemórias. São Paulo: Difusão Européia do Livro.

Miller, J.- A. (2005). Silet: os paradoxos da pulsão, de Freud a Lacan. Rio de Janeiro: Jorge Zahar. (Curso original de 1994-1995)

Milner, J.- C. (1996). A obra clara: Lacan, a ciência, a filosofia. Rio de Janeiro: Jorge Zahar.


Apontamentos

  • Não há apontamentos.