Pode a transexualidade operar como amarração nodal do sujeito?

Vinícius Moreira Lima, Ângela Maria Resende Vorcaro

Resumo


Neste trabalho, abordamos os relatos autobiográficos escritos em redes sociais por Daniela Andrade, mulher transexual e militante, a fim de extrair o que ela pode nos ensinar acerca da transexualidade como possibilidade de amarração nodal do sujeito. Partindo da forma como ela organiza discursivamente sua experiência, recorrendo à distinção entre identidade de gênero, papel de gênero, anatomia e orientação sexual, levantaremos a hipótese de que tal diferenciação lhe permite fazer-se um nome próprio (“Daniela Andrade”) ao eleger, no Simbólico, o significante “mulher trans”, que passa a representá-la frente ao Outro. Assim, pela via de uma nominação simbólica, Daniela alcança uma forma de operar a reescrita de seu gozo pela invenção singular de um nome próprio, ao rasurar seu nome e encontrar uma solução sinthomática transexual no campo do Simbólico, corrigindo o lapso nodal entre o imaginário do desejo do Outro, que almejava uma filha, e o real opaco de seu corpo, marcado pela presença do pênis.

Palavras-chave


Transexualidade; identidade de gênero; amarração; sujeito.

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Referências


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